ONGs: importantes aliadas da educação para além da escola

20 de maio de 2022

Este conteúdo foi produzido por Partilha

 Com muita alegria e satisfação começamos agora uma nova série de textos sobre Educação e Desenvolvimento Social aqui no Portal do Impacto. Em 2021, trouxemos diversas dicas sobre gestão de projetos sociais de educação e pudemos conversar sobre a importância da eficiência e da eficácia dos processos gerenciais para promover mudanças efetivas e transformação de vidas “lá na ponta”. 


 Para essa nova série, gostaria de enfatizar a potência da educação realizada fora da escola e como podemos construir ações cada vez mais impactantes para os públicos das instituições do terceiro setor, porque acredito que a educação é um dos caminhos para o desenvolvimento não só pessoal e profissional, como também social e comunitário.


Então, com isso em mente, comecei a refletir sobre por onde começar. Pensei em continuar na linha das dicas; também refleti sobre grandes agendas - com os ODS, por exemplo; passei pelas minhas concepções de educação e desenvolvimento humano; mas, no final das contas, resolvi começar essa nova série dizendo de mim.


 Acho importante antes, porém, dizer que ao defender a educação para além da escola eu não estou negando a escolarização. Pelo contrário, o papel social da escola é inegável e é nossa missão como cidadãos e cidadãs fortalecê-la. Além disso, acredito muito nas parcerias entre escolas e instituições sociais como um caminho potente e transformador na vida das pessoas e da própria comunidade atendida.


 Quando eu falo de “educação para além da escola” estou, na verdade, reconhecendo (e provocando o reconhecimento) às diversas formas de educação que existem, e, ao fazer isso, as fortaleço e crio ainda mais possibilidades de conexão e desenvolvimento.  Afinal, se educação é, segundo o dicionário, “processo que visa ao desenvolvimento físico, intelectual e moral do ser humano, através da aplicação de métodos próprios, com o intuito de assegurar-lhe a integração social e a formação da cidadania” é preciso somar muitas formas para educar nossas crianças e jovens.


 Pois bem, eu sou educadora de formação e atuo em diversos ambientes, escolares e não escolares. E hoje, olhando para minha história, percebo que isso se deu justamente porque meu processo de desenvolvimento aconteceu na escola e também fora dela.


Aluna de escola pública de uma cidade pequena do interior de Minas Gerais, tive no contato com meus professores o acesso a vários conhecimentos importantes para a vida prática e também para o desenvolvimento do senso crítico, mas principalmente, desenvolvi o gosto por estudar e aperfeiçoei minha curiosidade e desejo por aprender e refletir. Com meus colegas, eu pude desenvolver outras habilidades e conhecer mundos diferentes do meu. Como aluna de música, acessei outros conhecimentos e também outros universos. Nas aulas de teatro, reconheci e desenvolvi uma série de habilidades. Estudando inglês, vivi uma grande ampliação cultural. Participando de projetos sociais, fazendo trabalhos voluntários, envolvida em diversos movimentos e cursos, forjei minha visão de mundo.


 Se o ser humano tem diversas dimensões, por que limitar suas oportunidades de formação e desenvolvimento a um espaço apenas?


 É aí que entram as instituições sociais e sua possibilidade de desenvolvimento individual e transformação coletiva. Se a educação é fornecer oportunidades de desenvolvimento, é isso mesmo que elas fazem!


Se você é gestor, educador, comunicador, captador de recursos, da área administrativa, do financeiro, dos serviços gerais ou qualquer outro setor da instituição, tenho certeza que já ouviu diversos relatos de como aquele aluno X, além de aprender a tocar um instrumento, por exemplo, melhorou um comportamento, uma habilidade ou até mesmo a autoestima.


 Durante minha trajetória de 20 anos trabalhando com projetos sociais de educação, além de perceber os efeitos deles em mim, eu pude acompanhar muitas histórias de desenvolvimento de habilidades, transformação de vidas e impacto social. Inclusive, muitas delas feitas a partir da relação com as próprias escolas da comunidade, ou, ainda, a partir de demandas escolares. Muitos educadores (sociais ou não) já ousaram quebrar esses muros e os resultados dessas iniciativas me inspiram a, cada vez mais, bater nessa tecla de que precisamos, enquanto educadores sociais, nos reconhecer educadores - e assim conectar todas as oportunidades de educação!


 O texto de hoje não é, nem de longe, sobre uma novidade para a turma do terceiro setor que desenvolve projetos sociais. É um convite a esse reconhecimento de que se faz sim educação além da escola, de que desenvolvimento social e educação estão separados apenas burocraticamente nas pastas do poder executivo e que precisamos olhar para os projetos sociais de educação com esse olhar de desenvolvimento e transformação.


Nos próximos textos desta série vamos continuar esse papo sobre como as ações educativas podem ser ainda melhor estruturadas, geridas e viáveis. Vamos juntos fortalecer essa rede que promove desenvolvimento a partir da educação.



Este conteúdo foi produzido por Partilha

Ana Carolina Ferreira, apaixonada por educação e terceiro setor, graduada em Letras, especialista em Gestão de Projetos e graduanda em Psicologia. Fundadora da Partilha, dedica-se ao desenvolvimento de pessoas, empresas e instituições sociais, assessorando programas educacionais. Contato: anacarolina@partilha.udi.br


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