Como a Entrevista de Empatia pode te ajudar a conhecer o público de sua organização?

24 de janeiro de 2024

Entendendo as partes interessadas: a importância da Entrevista de Empatia como ferramenta estratégica.

Para conhecer melhor as partes interessadas de sua organização é essencial compreender suas reais necessidades. Afinal, é a partir dessa compreensão que será possível estabelecer uma relação de confiança e abertura com seu público-alvo.Sem perguntar ou entrar na realidade de uma pessoa, não podemos afirmar nada. Então, a entrevista de empatia é uma ferramenta que pode ser sua aliada nessa busca.


Identificar a realidade da outra pessoa em profundidade requer o entendimento do que elas estão pensando, como elas resolvem determinadas atividades/desafios cotidianos, os motivos e os sentimentos que são despertados ao se engajar, desmotivar, gostar ou não de determinado produto, serviço, ferramenta, espaço, evento etc..

Ao adaptar essa ferramenta para as organizações da sociedade civil, seguimos os seguintes passos:

  1. Escolha quem é o público (voluntários, beneficiários, parceiros, membros da comunidade, colaboradores etc);
  2. Defina que resultado você gostaria de obter após compreender as necessidades de seu público;
  3. Produza um roteiro de perguntas, prepare-se e esteja pronto com questões bem definidas; 
  4. Realize a entrevista, ouça suas histórias, converse sobre sentimentos e demonstre interesse no que as pessoas têm a dizer; 
  5. Faça a aferição das respostas: com as respostas apuradas, seguimos na análise delas
  6. E, por fim, avalie quais decisões tomar com base no que aprendeu a partir da experiência de escuta feita.


Torne esse processo um espaço de escuta ativa. A seguir, você vai conferir um passo a passo de como essa entrevista acontece e como construir um roteiro com questões eficazes para aprender sobre o comportamento de seu público e criar caminhos para que essas pessoas se sintam valorizadas e atendidas em suas necessidades. 


A entrevista de empatia é uma ferramenta que pode ser usada em diferentes contextos, por exemplo:

  •  Ouvir a percepção das empresas sobre o que as motiva doar ou o que elas buscam em potenciais parceiros;
  • Investigar os fatores de engajamento de voluntários e colaboradores;
  • Ou ainda, o que a comunidade assistida pensa sobre o trabalho realizado e de que forma sua organização pode promover melhorias nos serviços oferecidos.


Na prática: passo a passo da entrevista de empatia


A entrevista de
empatia possui quatro etapas essenciais:


1. Introdução e apresentação: um bom primeiro contato ajuda a gerar uma conexão mais forte com a pessoa entrevistada. É um momento para conquistar a benevolência da pessoa entrevistada e de criar uma conexão genuína com a mesma. 


Portanto,confira se ela tem tempo disponível para conversar com tranquilidade e se mantenha presente com assiduidade, conforme o horário combinado. Use frases como:

  • “Gostaria de entender sua opinião sobre (...)”
  • “Não é uma pesquisa, é um bate-papo”
  • Deixe claro que não existem perguntas certas ou erradas

Deixe a pessoa entrevistada à vontade e segura para responder as questões que serão levantadas. Esse primeiro contato será seu primeiro exercício de empatia. 


2. Quebra-gelo: a quebra-gelo é usado para criar proximidade com o entrevistado. Nesta fase, você pode utilizar perguntas como:

  • “Conte-me mais sobre o seu dia-a-dia”
  • “Conte-me sobre sua última (...)”
  • “Qual sua opinião sobre (...)”

Uma dica aqui é: demonstre interesse pela experiência pessoal da pessoa entrevistada. Isso também é uma forma de criar conexão.

Perguntas abertas: a pergunta aberta ajuda a entender as opiniões e comportamentos do entrevistado. Além disso, Pergunte mais “por que” do que “o que”; foco no sentimento; busque entender o que surpreende o entrevistado; “Como você se sentiria ao passar por essa etapa da jornada?”.


Sugestão Phomenta
: compartilhe uma história sua antes de buscar a história do entrevistado, evite perguntas em que a resposta possa ser sim ou não.


Perguntas Fechadas: cssas perguntas identificam as escolhas feitas pelo entrevistado. Trabalhe com alternativas para segmentar tipos de público, ofereça alternativas abrangentes.


Sugestão Phomenta
: faça uma pergunta de qualificação. Você já fez algum tipo de voluntariado/doação? (sim) (não) 


Agradecimento: agradeça pela atenção e pelo tempo. Educação e cordialidade são essenciais. Não esqueça de fazer a coleta de dados da pessoa entrevistada, como nome, idade, profissão, etc; “Obrigada pelo seu tempo”; “Como foi a experiência da entrevista para você?”.



Boas práticas para a entrevista de empatia


Para melhorar ainda mais a entrevista de empatia, você ainda podeseguir algumas recomendações que separamos para vocês, confira abaixo:

  • Buscar pessoas que não são fidelizadas - pessoas que já confiam no seu trabalho tendem a trazer apenas aspectos positivos; 
  • Criar ambiente de confiança, “tirar o peso de pesquisa”; 
  • Fazer acompanhamento da agenda: confirme o agendamento da entrevista; 
  • Utilizar a pesquisa como oportunidade de conhecer novas pessoas; 
  • Aproveitar o momento para evoluir como pessoa entrevistadora - a cada entrevista, você fica melhor no processo 
  • Evolução e revisão constante dos questionários. Nada está pronto e tudo pode ser adaptado conforme contextos e novos direcionamentos que possam vir a surgir.


O que não fazer: 

  • Incluir na pergunta a resposta desejada, issopode induzir a pessoa entrevistada. Nesse sentido evite perguntas como “Você gosta do nosso trabalho?”; 
  • Conduzir o entrevistado: é importante evitar perguntas que direcionam a resposta da pessoa para aquilo que queremos confirmar. Nesse caso, prime por fugir de conduções que possam ter “juízo de valor”; 
  • Falar sem parar: o objetivo da interação com o público é ouvir, assim, ouça e observe de forma atenta;
  • Ouvir apenas o que interessa: é muito comum desconsiderarmos aquilo que não está alinhado com o que acreditamos. É importante anotar feedbacks ou possíveis comentários “não tão bons”, mesmo que não concordemos com o que o outro está dizendo. Se a maioria disse a mesma coisa, temos que reavaliar o nosso modelo mental; 
  • Não se preparar: é essencial conhecer profundamente todas as perguntas e o que está buscando com cada uma delas. Além disso, tenha clareza sobre o que está buscando aprender com esta escuta;
  • Conversas como verdades: cuidado com os “pequenos números” que podem enviesar sua visão, ou seja, analise todos os dados coletados antes de tirar conclusões;
  • Medo de rejeição: isso significa desistir de realizar a interação, argumentando que não sabemos entrevistar, como acessar, etc;
  • Falar com qualquer pessoa: faça uma boa seleção de quem será entrevistado. Ao tentar descobrir os problemas ao dirigir um carro, não podemos entrevistar pessoas que não dirigem, não é mesmo? Por isso,  cuidado para não enviesar sua entrevista. Dessa forma, o conceito de “usuários extremos”, ou seja, que possuem vivências completamente diferentes, pode ajudar nessa seleção.


Exemplos de perguntas para te inspirar

  • Qual o seu objetivo ao buscar uma organização para apoiar?
  • Quando (certa situação) acontece, o que mais te incomoda? Por que?
  • Como você se sente quando (certa situação) acontece?
  • Como você lida com esses sentimentos?
  • O que você espera quando faz (certa ação)?
  • O que te motiva a realizar (certa ação)?
  • Quando a ação é bem-sucedida, como você se sente?
  • Como você entende que a ação foi bem-sucedida?
  • Por que você apoia esta organização e não outras?
  • Por que você ainda não é doador? O que te faria tomar essa decisão? O que falta para tomar esta decisão?
  • Como você sabe se pode confiar em uma organização?


Lembre-se sempre que a principal finalidade de uma
Entrevista de Empatia é construir uma conexão com a pessoa entrevistada a partir de conversas autênticas. Emoções e motivações são importantes neste processo, não as deixe de lado.


E, por fim, lembre-se que podemos perder grandes oportunidades ao termos em mente que já sabemos a resposta da pessoa entrevistada. É crucial questionar, mesmo que já tenhamos a pré-concepção da resposta que a mesma poderá nos dar, aproveite essa conexão para (re)descobrir as experiências de seu público.



E aí, gostou do tema? Caso tenha interesse em saber mais, confira a seleção de conteúdos referentes à temática que temos aqui no Portal:


Desejamos uma boa leitura!


Trilha de Inovação no Terceiro Setor


Entendendo a importância de trazer inovação para o Terceiro Setor, o Portal do Impacto e o Instituto Bancorbrás uniram forças para criar a Trilha da Inovação com o objetivo de apoiar as Organizações da Sociedade Civil (OSCs) a aprenderem e experimentarem como trazer inovação para suas ações.


Todo o conhecimento gerado no projeto foi consolidado no e-book “Guia para inovar no Terceiro Setor” traz um glossário com os principais termos utilizados na área, além de detalhar como conduzir o ciclo de inovação dentro das organizações, com ferramentas adaptadas à realidade do setor. Ideal para as pessoas que querem dar seus primeiros passos para inovar.


A publicação mostra como simplificar a tomada de decisão, criar e experimentar soluções de forma rápida, econômica e simples para os desafios identificados na gestão das organizações. O guia é digital e está disponível gratuitamente para download.


Baixe agora o Guia para inovar no Terceiro Setor


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Essa é uma discussão relevante que está colocada pelo Collective Impact Forum, uma rede de instituições do terceiro setor, criada desde 2013 para estimular a busca do impacto social coletivo . Essa rede é coordenada pela FSG (Foundation Strategy Group), empresa de consultoria sem fins lucrativos, fundada por Michael Porter e Mark Kramer, e que atua segundo quatro ideias centrais: a filantropia catalisadora (que antes eles denominavam por “filantropia estratégica”); o impacto coletivo; os mercados inclusivos; e o valor compartilhado.  A ideia do impacto social coletivo foi inicialmente lançada em 2011, em texto publicado por John Kania e Mark Kramer, em oposição à prática predominante do impacto social isolado. Até hoje as organizações sociais têm atuado basicamente de modo individual, por meio de intervenções isoladas. Segundo os autores, essa estratégia funciona muito bem quando se trata de “problemas técnicos”, isto é, problemas bem definidos, com solução conhecida de antemão e em que uma organização sozinha tem competência para a sua implementação no todo. Um exemplo é a necessidade de um treinamento específico para ajudar na inserção no mercado de trabalho. Nessas iniciativas de impacto isolado, as organizações sociais atuando em uma mesma área-fim tendem a competir entre si junto aos financiadores. Pois prevalece a lógica de que quem apresenta desempenho melhor, consegue captar mais recursos e, assim, dar maior escala ao seu negócio social. A avaliação de impacto é conduzida de modo individual, e o esforço é por isolar a influência individual do trabalho da organização de outros fatores concorrendo simultaneamente – como, por exemplo, a influência de outras instituições da localidade. Porém, o que ocorre é que no setor social os problemas são, em sua grande maioria, “adaptativos”, isto é, complexos, cheio de interdependências, em que a solução não é conhecida de antemão e, mesmo que fosse, nenhuma instituição sozinha teria os recursos e a autoridade para promover a mudança necessária. Um exemplo é a necessidade de apoio e educação integral para crianças em situação de vulnerabilidade. Daí, segundo os autores, para os problemas sociais e ambientais complexos, as iniciativas de impacto coletivo tendem a ter um potencial de transformação muito maior. Ao invés de uma atuação individualizada, a ideia é que as organizações de diferentes setores [público, privado e terceiro setor] passem a atuar de modo coordenado e integrado, cada uma em sua área de expertise , com o objetivo de alcançarem juntas a mudança social desejada, de forma duradoura e em grande escala. Como advertem Kania e Kramer, a implementação dessa estratégia coletiva não é trivial e, para ser bem sucedida, deve atender a cinco condições básicas : ter uma agenda em comum (o mesmo entendimento do problema social e de sua solução); ter um sistema informatizado de medição compartilhada (“ shared measurement ”); executar as atividades de modo complementar de acordo com um plano de ação; manter comunicação contínua, como base para a confiança entre os diferentes atores; ter a presença de uma organização coordenadora “ backbone organization ”). Só que o cumprimento de todas essas condições exige investimentos significativos em termos financeiros e de tempo, para construir laços de confiança entre os atores, formar uma base de conhecimentos e infra-estrutura de suporte. Nessas iniciativas de impacto coletivo, prevalece a colaboração ao invés da competição. Quer isso dizer que as organizações sociais de uma dada localidade, atuando em uma mesma área-fim, tendem a colaborar entre si para gerar o máximo benefício. E, diferente do que é feito para as iniciativas sociais individuais, a avaliação de impacto é conduzida de modo abrangente (e não isolado), e tem o foco nos resultados de longo prazo da ação conjunta dos diferentes atores. A meu ver, uma abordagem mais consistente para implementar a avaliação de impacto. Enfim, há prós e contras tanto para as iniciativas de impacto social isolado como para as de impacto coletivo. Porém, se formos adotar as iniciativas de impacto coletivo, para que elas sejam bem-sucedidas, há um longo caminho a ser trilhado antes, pois são muitos os cuidados e pré-requisitos a serem obedecidos. Fica a reflexão.
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Por Instituto Phomenta 9 de julho de 2026
A Inteligência Artificial (IA) não vai salvar nenhuma Organização da Sociedade Civil (OSC). Todo mundo já entendeu que ela é indispensável, que agiliza os processos, que ajuda no corre do dia a dia e que tem mil e uma utilidades. Mas ela, sozinha, não vai tirar a sua organização do vermelho e nem vai desafogar a sua equipe. A IA é uma ferramenta poderosa para apoiar a sua gestão, mas ela só funciona se for treinada e alimentada do jeito certo. E a grande pergunta é: você já sabe como fazer isso? A verdadeira inovação da tecnologia no terceiro setor não está nas ferramentas gratuitas e famosas que todo mundo usa na internet. O segredo está em construir uma estratégia modelada exclusivamente para a captação de recursos via editais. Se as exigências de quem financia mudaram, a forma como as ONGs planejam seus projetos precisa evoluir na mesma velocidade. É exatamente por isso que nasceu o Captação com Causa. Esse projeto, que tem duração de 18 meses, e é uma iniciativa da Fundação FEAC com apoio do Instituto Phomenta, tem um objetivo bem prático: foram selecionadas 10 organizações sociais de Campinas, que após formações, passam a utilizar uma plataforma de IA totalmente customizada para o terceiro setor. Por que focar em IA para buscar recursos? O que move esse projeto é uma ferida antiga das ONGs: o maior problema das organizações brasileiras hoje não é a falta de editais. As oportunidades estão publicadas por aí, na internet. O verdadeiro desafio das equipes, que quase sempre são enxutas, está em quatro passos básicos da rotina: Saber exatamente o que procurar para não aceitar qualquer dinheiro e acabar desviando da própria missão; Conseguir filtrar quais oportunidades realmente valem a pena e fazem sentido; Criar o hábito de buscar recursos de forma constante, e não só quando o caixa aperta; Transformar esse monte de informação em dinheiro no bolso para manter os projetos de pé. Escrever um projeto para um edital é complexo. Os formulários exigem justificativas profundas, orçamentos detalhados e até análise de riscos. Para equipes que já passam o dia se desdobrando no atendimento direto às comunidades, a IA entra como copiloto. Ela assume o trabalho mecânico de escrever e revisar textos, devolvendo para o captador o que ele tem de mais escasso: tempo para pensar na estratégia. Mas… como não deixar o texto com cara de robô? As ferramentas gratuitas que vemos por aí costumam "alucinar", que é o termo técnico para quando a IA inventa dados falsos ou cria argumentos superficiais simplesmente porque ela não conhece a realidade da sua ONG. Para blindar os projetos contra esse erro, o Captação com Causa ajuda as organizações a criarem um ambiente protegido e seguro, alimentando a inteligência artificial com a identidade real da instituição. Esse treino consiste em criar um perfil superdetalhado dentro do sistema, incluindo: O histórico da organização e as causas que ela defende; A região onde ela atua e o perfil das pessoas que ela atende; Dados locais e o impacto real que ela já gera no território. Quanto mais rico e detalhado for esse perfil, mais a IA se transforma em uma assistente exclusiva da causa. A partir daí, a máquina passa a escrever falando a mesma língua do financiador. Ela aprende a usar os termos técnicos que os avaliadores de editais procuram, cruza as palavras-chave exigidas e ajuda a encaixar a história da sua comunidade dentro das metas do orçamento. Falando a linguagem de quem investe Hoje em dia, as empresas e institutos que financiam projetos sociais mudaram a forma de avaliar as propostas. Eles não olham mais apenas para o número bruto de pessoas atendidas; eles querem ver o valor real do impacto gerado. Por isso, o projeto treina a IA para usar uma métrica chamada SROI (Retorno Social sobre o Investimento) . Para se ter uma ideia de como isso funciona: pesquisas do setor mostram que, para cada R$ 1 investido em projetos sociais por meio de incentivos fiscais no Brasil, cerca de R$ 7,59 retornam em benefícios reais para a sociedade e para a economia. Quando a IA é ensinada a cruzar os dados públicos da sua cidade (como pesquisas do IBGE) com o histórico de entregas da sua ONG, ela ajuda a provar matematicamente o valor do seu trabalho. O seu projeto deixa de parecer um "custo" para o investidor e passa a ser visto como um investimento seguro e transformador. O que muda na prática para as organizações? Com esse método bem aplicado, as inovações que as ONGs podem esperar mudam completamente o jogo da captação: Fim do desespero de última hora: A organização sai daquele modelo de correr atrás de edital na véspera do vencimento e passa a ter uma rotina organizada e previsível; Propostas sem erros bobos: Os projetos ficam muito mais robustos, diminuindo drasticamente as reprovações por preenchimento incompleto, metas vagas ou erros de orçamento; Mais confiança dos financiadores: Uma ONG que consegue provar seu impacto com dados seguros conquista a confiança de grandes investidores e garante sua sustentabilidade no longo prazo. Quer saber mais sobre captação estratégica e tecnologia? Aproveite para conferir nossos outros textos sobre sustentabilidade financeira e inteligência artificial no terceiro setor: O perigo do "dinheiro a qualquer custo": não deixe a procura por editais desvirtuar a sua missão: Entenda como a urgência para acessar editais sem alinhamento prévio pode desvirtuar a missão institucional da sua OSC e saiba como selecionar financiadores que respeitem os seus valores reais. Por que sua estratégia de captação precisa de IA (urgente)?: Conheça os dados oficiais sobre a sobrecarga dos captadores de recursos no Brasil e descubra por que a inteligência artificial virou uma ferramenta de infraestrutura obrigatória para criar rotinas eficientes.
Por Instituto Phomenta 4 de julho de 2026
Você com certeza já viveu essa cena: o processo de seleção de voluntários foi um sucesso, a reunião de integração é melhor ainda e todo mundo sai motivado. Duas semanas depois, metade do grupo some sem dar notícias, os e-mails ficam sem resposta e, na hora daquela ação crucial, a coordenação precisa se desdobrar porque metade dos confirmados cancelou em cima da hora. Se a rotina da sua ONG parece um eterno ciclo de recrutar pessoas para cobrir o desfalque das anteriores, saiba que você não está só. Manter voluntários conectados a uma causa a longo prazo é um dos maiores desafios de gestão no Terceiro Setor. Para entender o tamanho do problema, basta olhar para o cenário nacional. Os dados da Pesquisa Voluntariado no Brasil, realizada pelo IDIS/Datafolha (2021) afirmam que, dos 57 milhões de brasileiros e brasileiras que realizam ou já realizaram trabalhos voluntários, apenas 12% fazem ações regularmente. Ainda de acordo com a pesquisa, embora o desejo de fazer o bem seja alto no país, entre os voluntários insatisfeitos e menos entusiasmados aparece a falta de motivação e de apoio/recursos, como fatores que trazem desengajamento.
Por Instituto Phomenta 25 de junho de 2026
Manter uma Organização da Sociedade Civil (OSC) de portas abertas no Brasil é um desafio diário de sobrevivência. Historicamente, a sustentabilidade financeira é o maior gargalo do terceiro setor, mas, frente ao montante de trabalho e às obrigações do dia a dia, ainda não conseguimos olhar para ela de forma estratégica. Assim, tratamos a busca por recursos como um evento de última hora, e não como um processo diário. Os dados do setor desenham um cenário alarmante sobre a estrutura das organizações brasileiras. Segundo a pesquisa da Associação Brasileira de Captadores de Recursos (ABCR)*, 37% dos respondentes apontam como a maior dificuldade da captação a necessidade de dividir o tempo com outras demandas da instituição. Na maioria dos casos, a função é acumulada pela diretoria ou por técnicos que já estão sobrecarregados com a operação na ponta. O resultado é um ciclo vulnerável, especialista em "apagar incêndios": uma corrida desesperada contra o tempo para preencher formulários complexos apenas quando o caixa já entrou no vermelho. Diante dessa escassez crônica de tempo, a Inteligência Artificial (IA) passou a ser uma ferramenta de infraestrutura obrigatória para viabilizar a sustentabilidade institucional, mas poucas organizações ainda sabem como usá-la. A maioria das ONGs usa IA sem estratégia A rotina ideal de captação exige monitoramento constante do mercado, leitura minuciosa de editais, adequação técnica de propostas e relatórios rigorosos de prestação de contas. Mas você leu bem: ideal . Não é o que temos à mão no dia a dia. Para equipes enxutas, a IA se tornou o caminho para assumir essa carga operacional. Na captação de recursos, a máquina atua — ou deveria atuar — como um copiloto técnico: fazendo a triagem de diretrizes complexas e adaptando a linguagem de projetos para diferentes perfis de financiadores, devolvendo ao profissional o tempo necessário para pensar estrategicamente. Porém, de acordo com o levantamento do Instituto para o Desenvolvimento do Investimento Social (IDIS) , feito com mais de 1,5 mil organizações, 62% assumem que ainda estão em um estágio baixo ou inexistente de adoção de IA. Vivemos em uma constante urgência para adotar a tecnologia, mas o pouco background gerou um uso amador e desordenado. Um mapeamento recente conduzido também pelo IDIS com mais de 500 entidades revelou que 95% das organizações sociais utilizam IA sem qualquer política ou orientação formal, e 75% dependem exclusivamente de ferramentas gratuitas de mercado. O risco aqui é que, com a soma da pouca estratégia e da falta de substância, as ONGs só consigam gerar, por meio da IA, propostas superficiais e desconectadas da realidade do território. São materiais incipientes, que podem levar à desclassificação imediata dos projetos pelos avaliadores dos editais. Como usar a IA a seu favor? Como resposta direta a esse cenário de equipes sobrecarregadas e necessidade de profissionalização tecnológica, a Fundação FEAC, com apoio do Instituto Phomenta, estruturou o projeto Captação com Causa. A iniciativa de 18 meses foi desenhada justamente para aplicar a IA como uma solução de sustentabilidade em 10 OSCs selecionadas de Campinas. Para combater o uso desordenado e a dependência de plataformas gratuitas apontados pelas pesquisas, o programa introduz no dia a dia das instituições bots customizados e programados especificamente para o contexto do terceiro setor. Em vez de soluções genéricas, as organizações ganham um sistema que filtra editais de forma preditiva e qualifica a escrita técnica das propostas, reduzindo drasticamente o tempo gasto na formatação dos projetos. O foco principal do projeto, que conta com um match funding de R$ 100 mil, é estruturar a captação como uma rotina viável. Por meio de assessoramentos individuais e coletivos, o programa prepara os profissionais para utilizarem a IA com postura crítica, garantindo que a tecnologia trabalhe a serviço da estratégia humana. Ao transformar a tecnologia em uma aliada, o Captação com Causa mira na mobilização de R$ 800 mil entre as participantes e na comprovação de que, com o método correto, a captação de recursos pode deixar de ser um susto sazonal e se tornar uma estratégia previsível, perene e sustentável. Quer saber mais sobre o Captação com Causa? Confira nosso último artigo! *Fonte: Censo ABCR
Por Instituto Phomenta 11 de junho de 2026
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